segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DO TUTOR

Por Daniel dos Santos

Quem faz um curso a distância se torna um aluno com necessidades bem diferentes daquelas de um estudante tradicional. Se, por um lado, ele conta com várias ferramentas tecnológicas que podem tornar o aprendizado mais dinâmico, por outro, o fato de poder muitas vezes "estudar na hora que quer, e do jeito que quiser", abre espaço para que o estudante menos organizado perca o ritmo e acabe sobrecarregado. Além disso, o fato de não estar em uma sala de aula presencial pode fazer com que muitos se sintam sós e desmotivados, levando à desistência.
Por conta disso, o papel do chamado tutor é fundamental para o sucesso de curso em sistema de EAD. Ele é o profissional que vai acompanhar a evolução do estudante, dando apoio tanto pedagógico como tecnológico. Em certos cursos, é o próprio professor que arca com essa responsabilidade.
Segundo a Abed, há várias nomenclaturas para esse profissional. Para algumas instituições, tutor é quem acompanha o curso e é especialista no conteúdo, podendo até ser seu autor. Em outras, o tutor é uma espécie de ajudante do professor. E, em alguns cursos, para o apoio do aluno há um profissional que pode ser chamado de mediador pedagógico, facilitador ou mesmo monitor.
Seja qual for o nome, é ele que vai estar sempre de olho no que o aluno tem feito, e conta com a tecnologia para auxilia-lo nessa tarefa. "Nos ambientes virtuais de aprendizado, o tutor conta com ferramentas que exibem relatórios detalhados sobre tudo o que o aluno fez ou deixou de fazer nos últimos dias", conta Romain Mallard, diretor da empresa Digitalsk, companhia que desenvolve no Brasil sistemas de gerenciamento do aprendizado.
"É possível que um aluno seja mais bem acompanhado em um curso a distância do que no estudo presencial", afirma Mallard.
Com essas informações na mão, cabe a esse profissional cobrar e estimular a presença do aluno, para que ele não se sinta desassistido e saiba que o curso é sério, e que exige disciplina.
Uma coisa é certa quando se trata de ensino a distância: em um bom curso você não se sentirá só.


Publicado no Guia de Educação a Distância 2013, Ano 10, No. 10.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

ENTENDA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Por João Dias de Queiroz

Para surpresa de muitas pessoas, a educação a distância (EAD) já existe há muito tempo. Na verdade, ela funcionava inicialmente usando o correio convencional como meio de transporte de material – basicamente texto e figuras – entre o professor e o aluno.  Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a possibilidade de interação entre professor e alunos se tornou muito mais ágil e eficiente, ampliando essa interação, na forma de colaboração, principalmente entre os próprios alunos envolvidos nesta dinâmica de aquisição e compartilhamento de conhecimento.
A partir desta concepção mais recente, podemos afirmar que educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem que utiliza as tecnologias de informação e comunicação para dar suporte à adequada convivência não presencial entre as pessoas envolvidas neste processo, viabilizando a interação e colaboração que levam à difusão e consequentemente, à aquisição de conhecimento. Neste novo cenário, o professor deixa de ser o canal único de comunicação, para ser o agente mediador no processo de construção do conhecimento entre os diversos atores. Vivemos tempos de fartura de informação, e o papel do professor é fundamental para que o grupo não perca o foco, e consiga ser objetivo e produtivo, chegando a resultados que, mesmo a partir de ritmos individuais diferentes, proporcionam benefícios concretos aos alunos.
Em um mundo cada vez mais exigente em termos de valorização de pessoas com novos conhecimentos e habilidades, e ao mesmo tempo repleto de restrições de mobilidade urbana, a EAD torna-se uma opção natural para quem precisa adquirir e reciclar conhecimentos, sem as restrições habituais e em ascensão de tempo e deslocamento.
Com a redução dos custos dos equipamentos de informática e a existência de serviços de Internet relativamente rápidos e não muito caros, o acesso a um curso na modalidade EAD hoje em dia torna-se plenamente viável, ao contrário do que acontecia alguns anos atrás. Além disso, a maioria dos cursos oferecidos nesta modalidade estão sendo disponibilizados para acesso em dispositivos móveis, o que facilita ainda mais a sua utilização.
Quanto à qualidade, os cursos oferecidos no modo EAD vêm tendo uma avaliação que em muitos casos supera a dos cursos presenciais, desmitificando uma antiga crença disseminada no ambiente educacional.
É importante salientar que o aluno de um curso feito à distância deve adotar algumas posturas que contribuirão para que possa ser bem sucedido. Em primeiro lugar, é preciso fazer uma boa gestão do tempo ao longo do curso, para que as atividades solicitadas sejam realizadas plenamente e no prazo estabelecido. Caso contrário, o aluno se sentirá desestimulado a concluir o curso, assustado com as pendências que crescem a cada dia, gerando uma sensação de impotência e  desânimo. Outra característica importante é a participação ativa nas atividades coletivas (fórum de discussões, por exemplo), de maneira que haja um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individuais e as do grupo, de forma que todos saiam ganhando. Finalmente, o aluno deve se familiarizar com o ambiente de aprendizado on-line, para que possa participar de todas as atividades previstas sem maiores dificuldades.
João Dias de Queiroz é Graduado em Processamento de Dados pela UFBA e Mestre em Informática pela PUC-RJ. Doutorando no Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento – DMMDC, oferecido pela UFBA e outras instituições parceiras. Professor da Escola de Administração da UFBA. Vivência na área de Ciência da Computação com ênfase em Sistema de Informação, principalmente em tecnologia aplicada à educação, e-learning, EAD e gestão do conhecimento. Coordenador de e-learning no ILEX – Instituto Lex de Educação e Desenvolvimento.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

O QUE FAZER EM 10 MINUTOS

Segundo o biólogo John Medina, esse é o tempo de que dispomos para conquistar o interesse de uma plateia. E ele ensina como aproveitá-lo realmente bem.

O que não falta por aí são “verdades” sobre o cérebro humano. Entre outras coisas, dizem, por exemplo, que usamos apenas 10% de seu potencial e que existem personalidades regidas pelo hemisfério direito e outras, pelo esquerdo.
Cansado de ouvir algumas dessas “verdades”, o biólogo molecular John Medina decidiu escrever o livro - Aumente o Poder de seu cérebro: 12 Regras para uma Vida Saudável, Ativa e Produtiva (ed. Sextante). Entre seus objetivos estava o de esclarecer o que se sabe e o que não se sabe sobre o cérebro.
Segundo Medina, pesquisador do funcionamento do cérebro há quase três décadas, ainda ignoramos muito sobre esse órgão. As condições que propiciam seu bom funcionamento são conhecidas, mas pouco se sabe sobre os detalhes da operação.
No livro, ele aponta alguns princípios aplicáveis ao mundo dos negócios, e destacamos a seguir os relativos à dinâmica das reuniões, que pode ser turbinada com alguns conselhos.

CONTRA O TÉDIO, PAUSA E HUMOR

A experiência cotidiana mostra que, durante uma reunião de trabalho, as pessoas tendem a ficar entediadas e a não prestar atenção ao que está sendo tratado. Por isso, bons resultados requerem três pontos-chave:

  1. O cérebro humano primeiro processa a informação mais importante, depois os detalhes. Ou seja, se o orador começar pelos detalhes, a plateia ficará dispersiva.
  2. No primeiro minuto da apresentação, os ouvintes já começam a se perguntar se continuarão prestando atenção. Como presenciamos no dia a dia, 90% das pessoas se aborrecem nas reuniões por falta de motivação e normalmente rejeitam o expositor, em especial se este usar PowerPoint. Como conquistar e manter a atenção? Aproveite os primeiros minutos para enfatizar o mais relevante, sem entrar em detalhes, e, aos 9 minutos e 59 segundos, faça uma pausa; nos próximos 10 minutos, outra. Haverá tempo de retornar aos temas centrais.
  3. O cérebro, em qualquer situação, automaticamente levanta várias interrogações, ligadas à possibilidade de uma ameaça e à necessidade de se defender, mas também elabora algumas questões relacionadas com os centros de prazer – os mesmos que usamos para rir. Portanto, segundo Medina, se você for capaz de contar uma boa piada ou ao menos uma história interessante, ativará as áreas do cérebro dos ouvintes que respondem bem ao humor e, assim, manterá a audiência atenta.

 CONTRA DISTRAÇÕES, PAUSA E RAPIDEZ

Deve-se proibir o uso de telefones e laptops durante uma reunião? Quem decide é o orador, mas vale a pena insistir em que nossa capacidade de prestar atenção não é contínua e tem limites. Mesmo quando fica focada no expositor, a maioria dos ouvintes, ao fazer anotações, não consegue entender o que está sendo dito: a estratégia adotada é anotar e depois voltar a ouvir. Agora, se a apresentação é entediante, a distração toma conta de todos. Na maior parte das vezes, como explica Medina, tudo depende de quem fala: se for convincente, claro, emotivo e deixar a plateia tomar fôlego a cada 10 minutos, todos desligarão o telefone e o computador para prestar atenção.
Um truque eficiente? Falar com rapidez suficiente para que o ouvinte pense: “Preciso prestar mais atenção ou vou perder o que está sendo dito”. Obviamente, a velocidade não pode chegar ao ponto de a mensagem ser ininteligível.



Publicado na Revista HSM Management nº 98 – Maio-Junho 2013